Projeto treina cães para ajudar pessoas com deficiência
Foto: Reprodução Metro
Há oito anos, Lucas França, 29 anos, viu sua vida se transformar após um acidente no mar que o deixou tetraplégico. Alguns anos depois, França “sentiu seu coração vibrar” pelo rugby, esporte que o levou à Seleção Paralímpica Brasileira da modalidade em 2013. Mas desde fevereiro deste ano, o paratleta teve seu dia a dia totalmente mudado com a chegada de Paçoca: uma golden retriever de dois anos e muito amor e atenção para dar.
O presente foi ganho por meio do Projeto Genocão, criado pela AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente) e financiado pelo governo do Estado de São Paulo. Com auxílio da empresa de adestramento Tudo de Cão, vinculada ao projeto Cão Inclusão, o Genocão treina cachorros para exercerem função de cão-assistência a pessoas com deficiência.
França foi o primeiro beneficiado pelo projeto. Desde então, o paratleta viu sua rotina se tornar muito mais prática, e coisas que antes não conseguia fazer, como pegar um objeto no chão ou acender e apagar as luzes, agora são possíveis com ajuda da Paçoca.
França mora com os pais, mas não precisa mais pedir a ajuda deles em diversas situações. “Ela otimiza muito meu tempo. Esses dias estava deitado na cama e derrubei uma cartela de remédios atrás do meu criado-mudo e ela conseguiu pegar para mim. Eu teria muita dificuldade para pegar, ela resolveu bem mais rápido”, conta.
Antes de o cão poder ir morar com França, ambos passaram por seis meses de adaptação. Leonardo Ogata é fundador da Tudo de Cão e responsável por guiar os encontros entre os dois, que no início aconteciam de duas a três vezes por semana e tiveram a frequência aumentada aos poucos –tudo para a dupla se conhecer sem “estranhamento”.
Agora que moram juntos, França explica que ele e o cachorro continuam se conhecendo e testando novas atividades em que a Paçoca possa lhe ajudar. “Uma coisa muito bacana que a gente desenvolveu junto, por exemplo, foi ela aprender a tirar minhas meias. Foi uma tentativa minha e deu certo, ela foi muito delicada na hora de puxar as meias para não morder meus pés”, contou o paratleta.
De acordo com Ogata, em breve o Projeto Genocão irá beneficiar mais pessoas com deficiência: “A gente tem previsão de ‘entregar’ mais dois cães ainda no primeiro semestre deste ano e outros sete filhotes estão em treinamento”.

