Em sessão confusa, deputados votam pelo arquivamento de denúncias contra Temer
Foto: André Dusek/Estadão Conteúdo
Por 263 votos a favor, 227 contra e 2 abstenções, a Câmara se negou autorizar o STF (Supremo Tribunal Federal) a investigar o presidente Michel Temer (PMDB) por corrupção passiva.
A vitória do governo foi dentro do previsto nos mapas de votação. “Trabalhamos bem”, gabou-se o deputado Beto Mansur (PRB-SP), coordenador da contagem de votos, minimizando a vantagem de apenas 36 à frente da oposição.
O resultado também foi possível graças a uma falha na estratégia da oposição. Deputados do Psol, Rede, PDT e PT foram ao microfones na fase inicial dos debates e, logo, tiveram a presença registrada.
Com isso, a batalha do quorum foi facilitada e às 12h35, muito antes do previsto, havia 257 deputados com os nomes no painel, permitindo a votação do encerramento das discussões. “Foi um erro terrível. O maior discurso da oposição seria o silêncio”, criticou o vice-líder da minoria, Sílvio Costa (PTdoB-PE).
A sessão foi apressada e, numa prévia do resultado final, 292 a favor, 20 contra e 2 abstenções colocaram fim aos debates.
Obstrução
A oposição recorreu ao STF (Supremo Tribunal Federal) para permitir que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pudesse se manifestar pela acusação. No início da sessão, Paulo Abi-Alckel (PSDB-MG) defendeu o relatório pela rejeição, aprovado pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) e, em seguida, falou o advogado de Temer, Antonio Cláudio Mariz. “Coloca-se nessa denúncia no banco dos réus o presidente da República, enquanto também se coloca no mesmo altar um criminoso delator”, afirmou o defensor, em referência ao empresário Joesley Batista.
Relatora do caso, a ministra Rosa Weber rejeitou o pedido, alegando que o rito seguiu o regimento da Câmara.
“Só houve um lado”, reclamou Ivan Valente (Psol-SP)
A nova estratégia de PT, PDT, PSB, PCdoB, Rede e Psol foi tentar retirar a votação da pauta, mas não foi suficiente para derrubar a sessão.
A votação
A chamada para votar, um a um os deputados se manifestando nos microfones, começou as 18h21. Duas horas depois, as 20h16, a vitória foi sacramentada. O voto decisivo foi de Áureo (SD-RJ). No painel, as ausências, abstenções e votos pelo arquivamento somaram 172 votos.
Houve preocupação com a postura do líder do PSDB, Ricardo Trípoli (SP), que orientou voto contra Temer. “Blindar o presidente só contribui para aumentar a descrença na política e desmoralizar o Parlamento”, declarou.
Diante disso, a bancada tucana ficou dividida: 21 seguiram a orientação enquanto 22 foram a favor de Temer.
No PMDB, que fechou questão e ameaçou expulsar dissidentes, houve 6 contrários, entre eles, Sérgio Zveiter (RJ) e Jarbas Vasconcelos (PE).

