Saúde em primeiro lugar! Família é a chave contra obesidade infantil
Foto: Luciano Claudino/Código19
A obesidade infantil cresce a cada ano em todo mundo e já se tornou um dos principais desafios da saúde mundial. Inúmeros fatores presentes no cotidiano atual levaram o cenário a níveis alarmantes. A OMS (Organização Mundial de Saúde) estima que 41 milhões de crianças no mundo estejam acima do peso ideal. Número que cresceu 30% desde 1990. De acordo com especialistas o exemplo da família é fundamental para combater o problema.
Descoberta
Normalmente, o próprio pediatra é quem acaba descobrindo ou alertando os pais para a situação da criança. De acordo com Hélio Rocha, pediatra, nutrólogo e especialista no assunto, é preciso haver um acompanhamento. “É necessário observar. Aos 2 anos, por exemplo, ficar atento se a criança está usando roupas para a idade ou de idade acima. Se os sapatinhos estão mais gastos do que o normal, isso pode ocorrer com crianças que estão acima do peso. Na adolescência, também é preciso ver a época do estirão (quando a criança cresce rapidamente). Se após esse período ela continuar acima do peso, também é um indicativo”, explica.
Motivos
Segundo Rocha, a ascensão social das classes menos favorecidas tem relação direta com o cenário do Brasil. Para ele, o alto consumo de produtos industrializados chegou após o país superar um quadro grave de desnutrição.
“Nos anos 1970, uma pesquisa mostrou que 70% das crianças tinham algum grau de carência nutricional. Isso veio evoluindo e chegou a cerca de 5% em 2003. Normalmente, quando há essa transição nutricional, é natural haver um ganho considerável de peso. No Brasil, estamos no ápice dessa transição”, explica. Tudo isso, segundo ele, agravado pela globalização, que fez com que hábitos mundiais de consumo fossem praticados no Brasil – como o alto consumo de produtos industrializados.
O papel da família
O controle do sobrepeso depende muito mais da família do que se imagina. É o que defendem os especialistas no tema. “Não adianta fazer um cardápio saudável para a criança e, ao lado na mesa, os pais comerem frituras e doces. Fica muito difícil para a criança se for desta forma. Ela pode se revoltar. Portanto, é fundamental que os pais também tenham adesão ao cardápio mais saudável”, explica Tânia Marcucci, coordenadora da Saúde da Criança e do Adolescente da Secretaria de Saúde de Campinas.
Além disso, a paciência é importante para chegar ao objetivo da reeducação alimentar da criança. “É um trabalho de formiguinha. Tem que conversar com a criança, conquistá-la. Ela pode comer a bolacha que ela gosta, mas não sempre, tem que ser de vez em quando”, completa.
A professora titular da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp, Glaucia Pastore, diz que essa postura também deve ser ampliada para a escola, para que o resultado seja ainda mais efetivo. “A linguagem tem que ser a mesma tanto em casa quanto na escola. Tem que haver uma consonância de opiniões para que a mudança na alimentação funcione”, comenta.
Equilíbrio
O professor de educação física Marcio Atalla criou um projeto inédito de emagrecimento para toda a cidade de Jaguariúna. Isso depois de estudos e outros projetos com grupos menores. Ele lembra que é preciso um esforço no dia a dia para se ter uma melhor qualidade de vida. Segundo ele, a rotina frenética, principalmente nas grandes cidades, prejudica a criança que tem hoje um estilo de vida bem diferente do que tinha anos atrás. E isso pode custar caro lá na frente. “A minha geração brincava na rua porque não tinha opções. Hoje você tem celulares, tablets, que te dão a possibilidade de brincar sem se movimentar. Então, essa geração de 5 a 9 anos pode ser a primeira geração a viver cinco anos a menos que os pais. Você não muda se a família não se envolver. Ninguém quer seu filho vivendo menos do que ele”, comenta.
Combate e tratamento
Apesar do cenário preocupante, Gláucia Pastore acredita em uma mudança de cenário, mesmo que de forma lenta. “O ramo de hortifruti vem crescendo. Hoje já há uma consciência de se alimentar de forma saudável. Se houver uma harmonia de opiniões entre escola e família, é possível uma mudança”, completa.
A consciência da necessidade da prevenção e do tratamento para evitar doenças crônicas também tem crescido. Daniela Azanha, nutricionista esportiva e funcional, percebeu o aumento da procura em sua clínica por parte dos pais de crianças com sobrepeso.
“A procura realmente tem aumentado. Os pais estão preocupados com o que as crianças estão comendo, porque boa parte delas está além do peso e já apresenta algumas alterações nos exames de sangue”, explica. O sobrepeso pode gerar doenças como diabetes, hipertensão, colesterol alto, entre outras.
Segundo ela, é importante que os pais procurem um acompanhamento nutricional para identificar as necessidades da criança de forma individualizada.

