Ao vivo: Dilma faz sua defesa no Senado
Foto: Evaristo Sá/AFP
A presidente afastada, Dilma Rousseff (PT), faz hoje pessoalmente sua defesa no processo do impeachment no Senado. Ela estará frente a frente com os 81 senadores que, em menos de 48 horas, decidirão seu futuro político.
O depoimento de Dilma foi elaborado nos últimos dias de próprio punho e com a ajuda de ex-ministros. A fala inicial, prevista para durar 30 minutos, está distribuída em pelo menos três eixos: a defesa do processo, a política e a biografia.
No primeiro momento, a petista sustentará a falta de crimes na denúncia de que desrespeitou as leis que regem a execução do Orçamento.
Não ficou definido se o termo ‘golpe’ e menções diretas ao presidente interino, Michel Temer (PMDB), estarão nas falas. O advogado José Eduardo Cardozo e o ex-ministro Jaques Wagner defendem um tom mais agressivo, com ataques aos considerados traidores.
Com nove ex-ministros como juízes do processo – cinco dos quais já votaram contra Dilma em fases anteriores –, Dilma também prepara para fazer citações às declarações de ex-auxiliares, principalmente de elogios sobre a condução do governo.
Sem poder defender a convocação de um plebiscito para antecipar as eleições presidenciais, ideia rechaçada pela cúpula do PT, essa será a estratégia final para fazê-los, senão rever o voto pró-impeachment, pelo menos optar pela coluna do meio e se abster.
Dilma também prepara uma declaração sobre a própria história, lembrando o período que ficou presa e sofreu tortura durante a ditadura militar. Essa parte contou com a colaboração da ex-ministra das Mulheres Eleonora Meniccuci, companheira de cela da petista no presídio Tiradentes, em São Paulo.
Perguntas
O depoimento será sucedido pelas perguntas de senadores. A maioria deve participar desta fase. Dilma foi submetida a um treinamento para respondê-las, embora tenha o direito de ficar em silêncio quando quiser.
A base aliada de Michel Temer deve selecionar Ana Amélia (PP-RS) e Simone Tebet (PMDB-MS), que ficarão com as perguntas classificadas como mais duras.
As ironias no plenário são aguardadas dos senadores José Medeiros (PSD-MT) e Magno Malta (PR-ES).
Adversário de Dilma nas eleições de 2014, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), também manifestou a disposição de fazer perguntas.

