13/09/2016

Por 450 votos a 10, Câmara decide pela cassação de Cunha

Metro Jornal Brasília
Cunha se disse 'perseguido' por ter aceitado abrir o o processo de impeachment de Dilma. Adriano Machado/Reuters Cunha se disse 'perseguido' por ter aceitado abrir o o processo de impeachment de Dilma. Adriano Machado/Reuters

Um dos homens mais poderosos da República até maio deste ano, quando a mais alta Corte do país o afastou da presidência da Câmara, perdeu nesta segunda-feira o mandato que 232.708 eleitores do Rio de Janeiro lhe concederam nas últimas eleições. Eduardo Cunha (PMDB-RJ) foi condenado por seus pares, que consideraram que ele feriu o decoro da função ao dizer aos membros de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, em março do ano passado, que não tinha contas no exterior – meses depois, veio à tona a informação de que ele tinha dinheiro aplicado em um tipo de fundo, um trust, na Suíça.

 

Eram necessários 257 votos para tomar o mandato de Cunha, que se orgulhava de liderar uma “bancada” com mais de 200 deputados em seus tempos áureos. Meses depois desses tempos, dos 469 presentes numa sessão de segunda-feira, 450 votaram pela cassação e apenas 10 pela absolvição – 9 se abstiveram.

 

Da fiel tropa de choque que ajudou Cunha a fazer o processo de investigação se arrastar por longos 11 meses, com idas e vindas no Conselho de Ética, recursos à Mesa Diretora e ao STF (foram cinco, o último negado ontem pelo ministro Edson Fachin), o único soldado que se dedicou ontem à defesa do agora ex-deputado foi Carlos Marun (PMDB-MS). Velhos aliados de Cunha, como Paulinho da Força (SD-SP), nem sequer foram à tribuna falar por ele. Já Marun discursou por quatro vezes e tentou questões de ordem para fatiar a votação e conseguir uma pena mais branda para Cunha. “Vocês estão mais preocupados em receber aplausos no aeroporto ao chegarem em suas cidades do que com a Justiça”, apelou.

 

Mas não deu certo; além de perder o mandato, o peemedebista carioca perdeu os direitos políticos por oito anos. “O fim da minha carreira política”, previu Cunha, ainda antes da votação final.

 

Ecos do impeachment

 

Cunha, que estava afastado pelo Supremo também do exercício do mandato, acompanhou a sessão do plenário e fez sua defesa política na tribuna. Se disse vítima de desrespeito ao Regimento Interno da Câmara e da vingança de aliados da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

 

“É o processo de impeachment que está gerando tudo isso”, disse. “Alguém acha que, se eu não tivesse aceitado [a denúncia contra Dilma], teria impeachment? Se eu não tivesse conduzido a votação na Câmara, teria impeachment?”, questionou. “Chantagem foi feita em cima de mim. Vantagens foram oferecidas”, acusou. “Mas eu recusei. E peço a vocês que me julguem com isenção”, apelou, por fim. O tempo em que os pedidos de Eduardo Cunha eram como ordens para um grande número de parlamentares, porém, já havia passado.

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