Ciclovias, creche, cracolândia. Doria diz o que vai mudar e o que vai manter da gestão Haddad
Foto: Keiny Andrade/Folhapress
Eleito domingo novo prefeito de São Paulo com 53,29% dos votos válidos, João Doria (PSDB) dormiu só duas horas após a vitória, comeu pouco e de madrugada já estava de pé para um dia cheio nesta segunda-feira. A maratona começou com dezenas de entrevistas para a imprensa, avançou para a primeira reunião com a equipe que fará a transição entre os governos e terminou com encontro com o governador Geraldo Alckmin (PSDB), seu padrinho político. Leia resumo do que ele falou em suas primeiras conversas com jornalistas após o triunfo nas urnas.
Agradecimentos
A primeira ligação foi do prefeito Fernando Haddad (PT), que teve dignidade de antes do encerramento da apuração me cumprimentar e abrir conversas para a transição. Na sequência, telefonemas da Marta Suplicy (PMDB) e Celso Russomanno (PRB). Por fim, ligação do presidente Michel Temer (PMDB), mensagem de senadores e do presidente Fernando Henrique Cardoso, por WhatsApp, muito carinhosa. Do (José) Serra, não.
Eleição para vereadores
Boa notícia é o dobro da presença feminina (de 5 para 11). Nossa aliança fez 25 vereadores. Não é maioria, mas é número expressivo e vamos abrir conversa para termos maioria. Mas não terá o jogo da velha política do toma lá da cá. Quero deixar claro isso para os vereadores que foram eleitos e merecem meu respeito.
Vitória em primeiro turno
É a primeira vez que São Paulo tem eleição vencida em primeiro turno. Isso é histórico. Desde 1992, também, o PSDB não tinha chapa pura e nós fizemos, com Bruno Covas (PSDB) como vice-prefeito, algo que me orgulha.
Recado das urnas
A eleição demonstrou claramente um recado anti-PT. Não é a minha posição, é a das ruas, que rejeitam de forma aguda o PT. Não me refiro pessoalmente ao prefeito Haddad, mas ao partido. Outro recado é a rejeição à velha política. O número de votos nulos e brancos reflete esse sentimento de repulsa à má política. Esse recado serve para nós também. Não podemos fugir da plataforma que repetimos desde o início, aliás, como lembrou a deputado Luiza Erundina (PSOL), como um mantra: não sou politico, sou gestor, sou administrador.
Prioridades
A saúde será a número 1, principalmente nas periferias, onde há sofrimento. Mais de 500 mil pessoas esperam para fazer exames, além da falta de médicos, de medicamentos. Na sequência, educação, habitação e mobilidade.
Corujão da Saúde
Inicialmente, cerca de 40 hospitais privados serão utilizados para exames para a população na faixa das 20h às 8h e também vamos utilizar hospitais públicos estaduais com a mesma vacância no horário noturno. A prioridade das 20h as 22h será para idosos, deficientes e gestantes. Esse programa é emergencial, não é permanente. Vai durar um ano, esperando que neste ano vamos zerar a fila. Simultaneamente, vamos recuperar o sistema municipal de saúde para que os exames possam ser realizados na rede pública. Avaliamos o convênio em R$ 100 milhões por 12 meses.
Velocidade nas marginais
Na semana seguinte à posse, feita a modificação da sinalização, as velocidades nas marginais Pinheiros e Tietê serão alteradas: vamos mudar para 90 km/h, 70 km/h e 60 km/h (expressa, central e local, hoje em 70 km/h, 60 km/h e 50 km/h). Nas demais vias, expressas ou não, as velocidades serão mantidas, salvo alguma que mereça análise específica. E vamos acabar com a indústria da multa. Não faz sentido: 12 milhões de habitantes, 13,5 milhões de multas até julho e R$ 1 bilhão de faturamento. É demais. E a Guarda Civil Metropolitana não fará o papel de multar. A cidade já possui cerca de 970 radares, que serão mantidos e integrados ao Detecta para que as câmeras sirvam ao policiamento.
Desestatização
Vamos fazer amplo programa de desestatização e quero esclarecer que isso não vai gerar desemprego a funcionários públicos. Vamos começar pelo Anhembi, que será privatizado em três módulos: sambódromo, centro de convenções e o pavilhão de exposições; e também o autódromo de Interlagos. O autódromo, o kartódromo e a área do parque serão preservados. Será o maior parque de eventos ao ar livre da América Latina, para grandes eventos musicais. Também os parques públicos serão, todos eles, concedidos ao setor privado. Isso não vai implicar custo ao usuário. No estádio do Pacaembu, será uma concessão, mantendo a vocação de estádio de futebol.
Creche
Não vamos construir creches, é muito caro, não temos tempo. A melhor alternativa é trabalhar com as OSs (Organizações Sociais), adaptando locais que possam ter reformas bancadas pelas OSs mediante pagamento da prefeitura para atendimento de crianças de 0 a 3 anos. Depois, vamos estimular que os novos terminais de ônibus possam ter creches. E as estações de metrô. Facilita muito a vida da mãe. Ao ir e voltar do trabalho, ela pode pegar e deixar seu filho.
Será candidato ao governo do Estado em 2018?
Fui eleito para ser prefeito de São Paulo e vou “prefeitar”. E sem reeleição. Sou contra. Embora meu partido tenha sido autor da proposta, a reeleição se mostrou nociva.
Ciclovia
Serão mantidas as ciclovias e as ciclofaixas. Só não serão mantidas onde não funcionam. Onde tem ciclovia sem ciclista, não há razão de manter.
Empreendedorismo
Vamos valorizar isso, sim. A atividade será estimulada como nunca foi. Esse é o meu mundo. Eu sei o que é isso e vou ajudar as pessoas a construírem sua trajetória de empreendedorismo.
Cracolândia
O programa de Braços Abertos vai acabar. Vamos implementar o Recomeço, do governo do Estado, que estabelece internação obrigatória dos que consomem o crack. Se for por opção, melhor, senão, a internação será obrigatória.
Equipe de governo
Vamos reduzir o número de secretarias para cerca de 20, hoje são 27. Até 30 de novembro, teremos toda a estrutura definida, com secretários e prefeitos e prefeitas regionais (das subprefeituras) para podermos ter um mês ainda de convívio com aqueles que vão deixar a prefeitura.

