Aumento de velocidade nas marginais em SP diminuirá trajeto em 15 minutos, diz secretário
Informação foi divulgada por Sérgio Avelleda; integrantes de Co criticaram mudança e falta de estudos técnicos e dizem que acidentes vão crescer.
Prefeitura começou a trocar placas de velocidade da Marginal Pinheiros (Foto: Will Soares/G1)
O secretário municipal de Transportes de São Paulo, Sérgio Avelleda, afirmou nesta quinta-feira (19) que os motoristas vão economizar 15 minutos para cruzar os cerca de 47 km de extensão das marginais Tietê e Pinheiros com o aumento dos limites de velocidade das vias. O número faz parte de um estudo que a Prefeitura de São Paulo promete divulgar nesta quinta-feira (19) no site da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).
A velocidade será aumentada para 90 km/h, 70 km/h e 60 km/h no próximo dia 25 nas pistas expressa, central e local, respectivamente. A mudança das velocidades foi uma promessa de campanha do prefeito João Doria, e as novas placas já começaram a ser instaladas. O programa levou o nome de "Marginal Segura".
A redução de 15 minutos é superior aos 4 minutos que os motoristas haviam perdido com a redução das velocidades realizada em 2015 , segundo técnicos da gestão do então prefeito Fernando Haddad.
"Ele vai ganhar mais de 15 minutos pra atravessar as marginais. Sao 1,2 milhão de carros por dia. Você soma 15 minutos para parte desses carros que vão trafegar no horário em que a fluidez permite. Você somar isso cotidianamente na vida das pessoas tem significância", disse Avelleda nesta quinta.
Dados da CET divulgados em outubro de 2016 indicavam que o número de acidentes com vítimas fatais caiu 52% nas Marginais Tietê e Pinheiros após a implantação da redução de velocidade. De julho de 2014 a junho de 2015, foram registrados 64 acidentes com mortes, entre acidentes com vítimas nos veículos e atropelamentos. Já de julho de 2015 a junho de 2016 foram contabilizadas 31 mortes.
Críticas de conselheiros
O número foi divulgado nesta manhã em reunião do Conselho de Transportes da cidade. Na reunião, o projeto de aumentar as velocidades nas marginais sofreu críticas e contestações da maioria de conselheiros, entre eles ambientalistas e representantes de ONGs, e pessoas que foram à Biblioteca Mário de Andrade participar da reunião.
Entre os vários participantes que pediram a palavra, pelo menos 10 contestaram e criticaram o aumento das velocidades. Outros 3 elogiaram e demonstraram apoio, fora os representantes da Secretaria de Transportes.
Para Ana Carolina Nunes, da associação Cidade a Pé, aumentar as velocidades é uma medida equivocada e vai prejudicar especialmente o pedestre. Ela criticou a falta de estudos embasados e afirmou que não se sabe qual é a fonte da projeção de ganho de 15 minutos anunciada pelo secretário.
"Eu dirigia na marginal quando era 90 km/h e não me lembro de perder 15 minutos quando a velocidade foi reduzida". Ana Carolina afirma ainda que a manutenção do limite de 50 km/h em apenas uma faixa à direita vai causar conflitos porque os veículos chegarão nela em velocidades maiores. As alças de acesso das pontes, que são pontes comuns de travessias de pedestres, por exemplo, têm limite de 40 km/h. Para ela, não haverá tempo hábil para o motorista reduzir e percorrer a alça em uma velocidade segura.
A conselheira Marina Harkot afirmou que o aumento é uma medida "eleitoreira e irresponsável" e questionou o fato de a Secretaria dos Transportes não ter levado para a reunião detalhes do estudo que afirma ter realizado. "Os acidentes vão aumentar com certeza. Não falo apenas em relação a pedestres e ciclistas, mas também entre carros. O tempo de frenagem é muito maior, e os acidentes, muito mais fatais e deixam mais sequelas", disse Marina.
Reunião
Os conselheiros presentes na reunião desta quinta iniciaram suas falas criticando a pauta repleta de temas como a situação dos táxis-pretos na cidade.
Após cerca de duas horas de reunião, o presidente da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), João Octaviano, passou a falar sobre os novos limites e defendeu o aumento.
Ele lembrou que a pista expressa da marginal foi criada para conectar estradas e disse que foram feitos estudos que provam que o aumento dos limites aumenta e fluidez e não prejudica a segurança no trânsito. Octaviano diz que os estudos foram feitos considerando todos os aspectos técnicos, incluindo características geométricas das vias, espaços de frenagem e interferências à direita, como a presença de comércios.
A Prefeitura diz que realiza outras medidas para garantir a segurança no trânsito das marginais, como a retirada de ambulantes e moradores de rua que dormem sobre viadutos, a instalação de faixas de pedestre elevadas em ruas transversais às marginais, onde são feitas conversões, e um trabalho de engenharia de tráfego, sinalização e fiscalização.

