05/12/2016

Elize Matsunaga pega 19 anos por matar e esquartejar o marido

Por band.com.br
Elize Matsunaga no Fórum da Barra Funda | Nelson Antoine/FramePhoto/Folhapress Elize Matsunaga no Fórum da Barra Funda | Nelson Antoine/FramePhoto/Folhapress

Elize Matsunaga foi condenada a 19 anos e 11 meses e 1 dia de prisão pelo assassinato, esquartejamento e ocultação de cadáver do marido, o empresário Marcos Matsunaga. A sentença foi lida pelo juíz Adilson Paukoski às 2h07 desta segunda-feira, dia 5, no Fórum Criminal da Barra Funda, Zona Oeste de São Paulo.

 

O júri, formado por quatro mulheres e três homens, não considerou as qualificadoras “motivo torpe” e “meio cruel”, que eram pedidas pela promotoria e poderiam aumentar a sentença. O julgamento durou sete dias. A previsão inicial do Tribunal de Justiça de São Paulo é que a decisão seria tomada em até cinco dias. No entanto, longos depoimentos mudaram a programação. Ao todo, 16 testemunhas foram ouvidas entre acusação e defesa.

 

Marcos Matsunaga foi morto no dia 19 de maio de 2012 em um duplex de mais de 500m² na Vila Leopoldina, em São Paulo, onde o casal morava com a filha de um ano, com um tiro de pistola .380 efetuado por Elize. Na sequência, a bacharel de direito e técnica em enfermagem esquartejou o corpo do empresário, colocou em malas e espalhou pela região de Cotia. Ré confessa, Elize está presa preventivamente desde junho do ano do crime.

 

O crime

 

Elize havia retornado de uma viagem de três dias a Chopenzinho – cidade do interior do Paraná, onde nasceu – junto com a filha e a babá. “Fui ver minha vó. Queria mostrar Helena, que ela não conhecia”, disse. Um detetive, contratado por ela, filmou uma traição de Marcos no primeiro dia da viagem. Por telefone, Elize era informada em tempo real sobre os movimentos do marido.

 

Marcos foi buscá-las no Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos. Todos foram ao apartamento. Após a saída da babá, o casal pediu uma pizza que o empresário foi buscar na portaria. Na volta, ele seria morto por Elize.

 

Na versão da ré, não houve emboscada. O casal chegou a sentar à mesa, mas iniciaram uma discussão. Marcos teria dito que ia para a casa do pai. Elize desconfiava que ele voltaria a se encontrar com a amante. “Eu não aguentei, disse para ele parar de mentir”, afirmou. “Eu contei que tinha contratado um detetive e sabia de tudo.”

 

Segundo Elize, o empresário esbravejou. “Como você tem coragem de fazer isso com o meu dinheiro?”, teria dito. “Ele me chamou de vaca, vagabunda e deu um tapa no rosto”, afirmou.

 

Elize conta que os dois estavam de pé na hora da discussão. Após o tapa, ela foi para a sala de estar apanhar sua pistola .380, que havia sido presente de Marcos. “Quando olhei a arma na minha mão, me arrependi. Fui para cozinha para ele não me ver”.

 

Marcos teria ido atrás dela. “Ele ficou surpreso e começou a rir”, contou. “Falou que eu era uma puta, falou para eu ir embora com a minha família e deixar a filha dele lá”, afirmou. “Eu não raciocinei. Eu poderia ter feito inúmeras coisas. Poderia ter feito 1 milhão de coisas. Eu não estava normal naquela hora”.

 

Praticante de tiro, Elize disparou a arma e acertou o marido na cabeça. “Eu queria que ele calasse. Queria que tudo aquilo acabasse”, disse. “Eu não optei pelo tiro. Aconteceu”.

 

Segundo afirma, a ré ficou desesperada. Chegou a pegar o telefone para ligar para a polícia, mas desistiu. “Eu ia ser presa. Iam levar minha filha para um abrigo.” Elize conta que arrastou o corpo de Marcos pelos braços, por cerca de 15 metros, até o quarto de hóspedes. Depois limpou o rastro de sangue com um pano e produto de limpeza.

 

O esquartejamento só começou no dia seguinte, entre 5h30 e 6h, após a chegada da babá. “Queria esconder ele”, justificou. Ela relata que começou pelos joelhos, porque sabia que “só tinha articulação”. Depois os braços, o tronco e, por fim, a cabeça. Pôs as partes em sacos de lixo e os sacos em três malas.

 

Inicialmente, contou à família da vítima que Marcos estava desaparecido. “Eu não tinha como falar pra minha sogra: ‘Desculpa, atirei no seu filho’”.

 

“Eu não queria matar o Marcos, não fiz por crueldade”, disse Elize, quando questionada se gostaria de se defender. “Queria pedir desculpa a todas as pessoas que machuquei por esse ato infeliz”, afirmou. “Se eu tiver mentindo, quero que Deus me castigue da pior forma possível”.

 

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